quinta-feira, 24 de abril de 2008

Renan Mendes/"Vira e Mexe" Luiz Gonzaga




Renan mostrando seu virtuosismo na feira de Uauá. Ouvir Renan, é ouvir a música dos anjos.
Edição e Imagens: Gildemar Sena

Verso e Reverso Um pouco da riqueza cultural do sertão!

DEVANEIOS I (Pedro Peixinho)

SUJEIRA, GRITOS, PORÕES...
VIDA INSENTIDA, SEM RAZÕES...
VIVALDINOS À ESPERA DAS PRESAS,
POBRES COITADAS,
CAÍDAS, DESESPERADAS...
POR ENQUANTO, NADA DE NOVO...
NADA É SURPRESA...
TEM PACIÊNCIA, TEREZA...
QUE A VIDA É UM DESENGANO...
TEM PACIÊNCIA, TRISTEZA...
ALEGRIA, SÓ DE ANO EM ANO,
NO SÃO JOÃO... OU NO CARNAVAL...
NADA DE BOM OU DE MAL...
SOMENTE, FÉTIDOS RINCÕES,
SEM CHUVA, SEM MEL E SEM SAL!!!...

ESTROVENGAS E FACÕES (Gildemar Sena)

Eu tenho um espinho de mandacaru na ponta do meu pensamento
E uma zabumba que bate forte e acorda todo Sertão.
Um sol a pino no pino do dia
Que seca gravetos, abre feridas no chão.
Um Carcará malvado, furando os olhos, puxando a língua,
Ceifando a vida, sou Gavião.
Tenho um punhal, sou ligeiro, sou Lampião.
Faço tocaias, sou Pajeú, João Abade e Pedrão.
Rasgo Editais, faço Comunhão, sou Conselheiro e sua Legião.
Tenho um rosário no peito e um bacamarte na mão.
Faço versos e canto trovas,
Aprendi com Patativa, Jackson do Pandeiro e o Rei do Baião.
Gosto de Xote, Xaxado e Rojão,
Ritmos que ouvi no Sertão.
Praia que vira mar, mar que vira sertão.
O Sertão vai virar Mar e o Mar vai virar Sertão.
Que a terra é de todos, a terra não é de ninguém.
Ele falou e despertou, Prudente que não era prudente mandou expedição.
Foram tantos disparos, mataram muitos irmãos...
Ficaram quatro apenas, um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados e uma República manchada com SANGUE DE IRMÃOS!!!...

DESCRIÇÃO (Érika Jane Ribeiro)

E agora?
É caminho torto,
Desejo morto,
Lembrança tonta.
É passado fúnebre.
E agora?
Agora sim!
É vontade louca, é desejo bravo!
Olhar insano, sorriso ébrio.
É liberdade...
Sou eu, em busca de prazeres,
A correr pelas noites
E pelas aventuras das madrugadas!
Sou eu buscando o proibido,
Desejando o comprometido!
Agora sim!
É presente vivo,
É querer endoidecido, vontade repentina,
Loucura...e
Entrega desvairada.
Sou eu e os meus noturnos amores.
Amores sem nome, sem endereço,
Nem tédio!
Amores meus e teus!
Meus caminhos?
A noite os fará nascer!
Meus desejos?
As madrugadas os reinventarão!
Meu passado não me pertence!
Sou toda busca,
Sou todo encontro,
Completa fuga...
Sou tua amante,
Tua menina, tua mulher.
Eu????
Sou nada tua!
Sou unicamente minha.





terça-feira, 22 de abril de 2008

Em Tempo de São João

Quando começa o inverno, com chuva e um pouquinho de friocomo é o nosso inverno aki em Uaua, já se prenuncia que logo, logo, esta chegando a festa de São João, a festa mais esperada do ano.. Mais do que o Natal em que a gente ganha presentes. Mais do que o carnaval, umafesta mais para adultos e solteiros. No São João, tem fogueira (costume que não podemos perder),muitos quitutes e comida gostosa, músicas de forró, dança de quadrilha (disputas fantasticas), chuvinhas e fogos de artifício, e muita, mas muita alegria para todas as famílias, de todos os bairros,em toda a cidade. Em todo lugar.
É, antes de tudo, uma oportunidade onde se dançar e cantar os costumes herdados da sabedoria de nossos ancestrais. Sábios ensinamentos de um tempo que o próprio tempo se encarregou de deixar para trás, mas que nossa memória nega-se de esquecer...
Não há quem não se contagie com a alegria dessa terra. É muita dança e brincadeiras, regadas à comidas típicas e bebidas afrodisíacas como o quentão, capeta e o ponche à brasileira. De dentro das casas , pode-se ouvir músicas tocadas por sanfonas... Variando entre canções de Luiz Gonzaga, (nosso imortal) , e tambémde Cavação, Zé de Alto, Claudio Barris, Nilton Freitas, Teixeirinha, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino. Um tempo em que esquecemos os problemas e simplesmente e nos deixamos levar por a magia e o encanto do São João...
Passar o mês de junho sem festejar em Uauá, é deixar de viver momentos felizes de pura descontração